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Archive for Dezembro, 2009

Uma Certa Incerteza

Imagem retirada do Google.com

O que será do meu amanhã incerto enquanto pairo na certeza de que o hoje não foi o bastante para me deixar satisfeito? Fiz de tudo um pouco, mas fiz somente o que era formalmente necessário e não sobrou tempo para desperdiçar com minhas próprias e particulares exigências, com meus inexplicáveis caprichos. Fiz exatamente tudo que deveria, mas não consegui fazer do meu dia tudo o que queria. Faltou tempo, faltaram desculpas, faltaram oportunidades, faltou esperança entre tantas outras coisas, mas sobraram medos e dúvidas. Sobrou o receio de descobrir o mundo e não gostar, de saber as respostas dos meus “por quê’s” desprezados e preferir jamais ter perdido o prazer e o mistério da incerteza. 

 
 
Michel Carvalho.
 
 
Agradecimento especial à amiga Priscila Azevedo Costa que me forneceu o “time” do texto permitindo, assim, que eu fosse breve, porém coeso e completo. À você Pri, com carinho!

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Meu nome: não importa. Profissão: ator. Palco: a vida!
 
Dentre as infinitas teorias sobre a vida e seu significado, eu prefiro a que dita que ela não passa de um teatro. Um palco onde realizamos nossas façanhas baseadas na arte do improviso, nas dores e alegrias dos imprevistos e em que algumas raras vezes conseguimos seguir o roteiro que ingenuamente traçamos, na expectativa de que o futuro seja simplesmente uma previsão. Bobagem! O futuro é um novo espetáculo, uma peça de improvisos que jamais conseguirá ser premonizada, antecipada e/ou advinhada. Tudo o demais a respeito do amanhã serão meras coincidências, se é que elas existem, embora eu acredite que nada seja por acaso.
Nesse espetáculo de sonhar e tentar trazer o imaginário para o prisma da realidade eu vou atuando, escrevendo e dirigindo, dia após dia, momento por momento, essa peça inédita e insana com um enredo sem lógica e nexo. Peça a qual ninguém fará cópia e que é de apresentação única. A minha peça… A minha vida por sobre esse cenário mundano. Um espetáculo encantador onde sou o responsável pela platéia que atraio e pelos aplausos que recebo calorosamente das mesmas mãos que me impulsionaram ao topo e me ergueram, um dia, da beira do abismo. Aqui não há ensaios, tudo é para valer. Aqui esperar é disperdiçar e precipitar-se é aproximar-se mais rápido do final.
Embora essa peça me pregue inúmeras outras peças e ouse me testar até o fim, plantando as armadilhas e esperando que eu as vença e sobreviva, vou seguindo com passos firmes mesmo em terrenos irregulares. Um velho amigo me disse que apesar de tudo a vida é fantástica e eu hoje acredito, aliás, a esse amigo devo grandes trechos deste post onde tento responder as indagações que um dia, em um lugar qualquer, formamos sem entender o nexo de toda essa “maluquisse”. Então, cabe a mim ser também fantástico, ser o mágico que torna o impossível em algo ao menos visível e acreditável, ainda que tudo não passe de uma elaborada ilusão –  nem sempre tudo precisa ser real e palpável, a vida se faz de momentos, independentemente se reais ou fictícios. Sendo assim, acordo sorrindo porque a preocupação nunca me passou de um pretexto para não se levantar do consolo nostálgico de uma cama enquanto lá fora o mundo exige uma atitude – por isso, vou com ou sem medo e ponho a ‘cara a tapa’. Não perco o tempo da cena tampouco me faço de coadjuvante quando sei que estou aqui para brilhar, seja em que for, como for e para quem for. Desprezar o próprio valor é uma forma torpe de renegar a própria existência. Eu existo e, embora nem sempre acredite ou simplesmente duvide, muitos me notam, admiram e amam. Sim, algumas muitas também me odeiam, mas a elas cobro o ingresso e ainda, no final de cada dia, arranco fervorosas palmas.
Viva o show da vida onde todos são atores e platéia…  Onde, para todos, uma hora a cortina irá se fechar e tudo virará pó e que a maior glória com que se pode sonhar e buscar é poder fechar os olhos uma última vez com a certeza de que valeu a pena e que, se existe felicidade, ela foi degustada o máximo possível e ató o final.
Mas, mesmo que tudo já pareça uma rota pré-determinada, há as incógnitas que nos fazem desconhecer o dia seguinte e buscar numa filosofia qualquer a explicação para o que jamais saberemos ao certo. Uma filosofia que não somente nos explique, mas que também nos satisfaça… Foi aqui, nesse teatro ao qual comparo a vida, que encontrei minha satisfação ou, ao menos, minha razão para reclamar menos e viver mais. Talvez por isso eu não preciso de falsas demagogias e me viro muito bem com minha própria forma de ver o mundo e suas duas faces.
Para incrementar meus doces devaneios e fazer do meu show algo cada vez mais real e vivo, atribuo-lhe trilha sonora. Uma sonoplastia completa e de inúmeras referências onde cada canção retrata um momento, uma cena, talvez um simples minuto perfeito antes da involuntária mutação dos meus pensamentos e certezas que, sem pedir licença, vão do convicto para o duvidoso, da crença para a descrença e do amor para a dor. A vida me impõe a melodia e eu faço a letra… Foi sempre assim!
Com melodias românticas vivo sem medo e arrependimentos os meus momentos de “viva e deixe morrer” com uma leve acústica clássica… Bailo, beijo e amo. Um rock me leva a esquecer dos problemas e a vibrar com cada parte do meu corpo em uma manifestação de “louvor” à minha particular fé de que tudo ainda me é possível, mesmo com os fragmentos que deixei para trás… Desperto, liberto-me e vivo. E, sob as batidas pop vou me reinventando, criando novos passos para o mesmo caminho… Subo, desço, persisto.
Nesse espetáculo vou do drama à comédia, do suspense ao romance sem deixar de viver a aventura desse documentário incrível que é minha tão única e particular vida.
 
Agora eu sei meu amigo, a vida é fantástica…
 
Entre no meu espetáculo, as cortinas ainda estão abertas e a platéia é livre!
 
Agradecimento e dedicação especial ao amigo que em momentos de filosofia inexplicavelmente perfeitos me mostrou de forma simples e clara que a vida é fantástica, Vitor Benedito Azevedo.
 
Michel Carvalho. 
 

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